A banda da semana: Blitzen Trapper
Nunca fui muito fã de folk. Mas adoro o "primo pobre" desse gênero, às vezes chamado country alternativo (ou alt-country) --você talvez se lembre dele por causa do Wilco. A verdade é que, apesar do nome, esse estilo é bem diferente do country mainstream, e incorpora influências mais rock, como bluegrass e rockabilly, e o próprio folk. É entre os novos nomes dessa cena que está o Blitzen Trapper, banda de Portland que faz parte do elenco da gravadora Sub Pop --sim, aquela que foi fundamental para a popularização do grunge no início dos anos 1990.
Formada em 2000, a banda tem Eric Earley nos vocais --e que vocais. Sabe aquele tipo de pessoa que tem voz e tom perfeitos e que te cativa na primeira audição? Não serei hipócrita em dizer que o Blitzen Trapper é inovador, revolucionário, "a melhor banda de alt-country" da década, "os Strokes folk" (se é que alguma banda já não recebeu esse título, e eu não duvidaria). Não é. O Blitzen Trapper faz música para ouvidos mais pop, com arranjos simples --nada tão aprimorado quanto o disco mais chinfrim do Wilco.
Conheci a banda em 2007, quando o disco "Wild Mountain Nation" foi considerado um dos melhores daquele ano pela "Rolling Stone", "Spin", "Pitchfork" e mais um tantão de gente. E, desde então, gosto de tudo que eles lançam --o último disco é "American Goldwing", lançado no ano passado. É dele "Taking It Easy Too Long", que você ouve abaixo. É música para ouvir com as janelas do carro bem abertas, com o vento batendo no rosto.
Com este post, aproveito para me despedir do blog, que segue com os demais colaboradores. Obrigada a todos que acompanharam meus posts durante estes meses. Nos vemos no Twitter e, em breve, em outro lugar.
Escrito por Carol Nogueira às 22h51
Skrillex? Que Skrillex?
Caí, por acaso, no canal do YouTube da Re:generation, nova campanha do carro Veloster, da Hyundai. O mote é promover encontros entre DJs hypados e artistas veteranos de estilos como o jazz, o blues e a música country. Cada encontro desses vira um videozinho. A ideia não é lá muito original, mas rendeu alguns vídeos bacanas, como um encontro de Mark Ronson, Erykah Badu, Trombone Shorty, Mos Def, Zigaboo Modeliste e membros do The Dap Kings na música "A La Modeliste". Em outro, o DJ "do momento", Skrillex, encontra o baterista John Densmore, do The Doors, quando o "velhinho" manda: "Eu sou um dinossauro. Nunca ouvi falar de você". Para saber mais, vale entrar no site.
Escrito por Carol Nogueira às 17h19
"Cale a boca e toque os hits", o funeral do LCD Soundsystem
Saiu o trailer do filme que registra o último show do LCD Soundsystem, em abril, no Madison Square Garden, em NY. De chorar, vai? As primeiras exibições rolam no Festival de Sundance. Pra saber mais, vai lá: www.shutupandplaythehits.com
Escrito por Carol Nogueira às 20h46
Black Keys: "vamos ao Brasil ainda este ano"

Em uma tarde de dezembro do ano passado, troquei algumas palavras com Dan Auerbach, vocalista e guitarrista do Black Keys. O texto você pode ler na Ilustrada desta quarta, ou aqui na Folha.com. Abaixo, as respostas dele na íntegra.
Como você avalia o seu 2011? Vocês cresceram muito, ganharam Grammys, venderam milhões de discos, lançaram um disco super elogiado... Como lida com isso?
Não foi um sucesso da noite para o dia. Tivemos muito tempo para nos acostumar. Você sabe como é vender 4 milhões de discos? Acho que estamos indo bem.
Como foi gravar "El Camino"?
Cada um dos nossos discos captura um momento da banda. Ele registra o tipo de comida que estávamos comendo, que discos estávamos ouvindo, com quem estávamos saindo. Por isso, são extremamente pessoais. Mas não fizemos nada diferente neste. É bem simples e similar aos outros. Não há nenhuma modinha, nada louco. Apenas tentamos escrever boas músicas a manter a instrumentação simples.
Em breve, vocês saem em turnê pelos EUA com o Arctic Monkeys abrindo os seus shows. Como foi isso? Muita gente acha que eles são maiores que vocês.
Não sei se eles ainda são maiores do que nós. Mas optamos por eles porque os conhecemos e eles são caras legais, mas fazem um som diferente do nosso, então gostamos por isso.
Vi esses dias uma entrevista de vocês em que defendiam o direito de não colocar o álbum para streaming. Por que?
Nós queremos ganhar dinheiro, e os sites de streaming não pagam você. Com este disco, vendemos três vezes mais do que vendemos o anterior, e sem o streaming. Nossas músicas tocam mais no rádio sem o streaming e, nós também fazemos shows maiores. É bem óbvio.
Você está me soando um belo estrategista...
Não é uma estratégia, nós só queremos ganhar dinheiro. Ainda mais quando colocamos tempo, esforço e nosso próprio dinheiro no nosso trabalho. Por que o ofereceríamos de graça? Isso só desvaloriza a música.
Você compra muitos discos?
Eu amo música, então sempre compro os discos que quero. Eu cometo excessos, sempre compro demais. Ás vezes, compro e passo para o iPod, se eu estiver na estrada. Minha parte favorita de fazer turnê é poder comprar discos nas lojas que eu gosto. Algumas pessoas não ligam tanto, então talvez comprem apenas alguns discos por ano.
Como você vê a crise da indústria?
Eu vivo para a música e a internet e os downloads ilegais mudaram completamente a indústria musical. Você não consegue ganhar a vida vendendo discos mais. Isso te obriga a fazer outras coisas, a fazer shows. Antes, as bandas podiam gravar um disco e ganhar a vida com ele, fazendo só alguns shows, então voltar e fazer mais. Se você quiser se sustentar, você tem de ir pra estrada. E eu não gosto muito disso.
Não gosta de ir para a estrada?
Não, eu prefiro gravar, com certeza, porque é mais criativo. Eu gosto de tocar, mas esta é só uma parte bem pequena da experiência. Você tem que ir pra estrada e ficar longe de casa. Tocar é uma parte bem pequena de quando você está na estrada. Estar na estrada para tudo, você só pode sentar e esperar acabar, então voltar para casa e esperar que você volte a ser criativo.
O que foi a última coisa que você comprou?
Uma coletânea de música vietnamita dos anos 1960 e 1970.
O que mais você gosta, além de música?
Eu assisto muita TV. Mais do que filmes. Gosto de comprar boxes de séries em DVD como "Curb Your Enthusiasm" e "The Wire", coisas assim... Gosto de pegar toda a coleção e assistir do começo ao fim.
Em outra entrevista que vocês deram esses dias, o Patrick disse que queria socar o Carl Barat do Libertines, porque ele era muito poser. Como você se sente em relação a isso?
As pessoas geralmente confundem eu e o Pat. Mas nós somos pessoas completamente diferentes, nem sei como fazemos parte da mesma banda. Ele é mais extrovertido e gosta de falar esse tipo de bobagem.

Vamos. Quase fomos escalados para o Lollapalooza, mas as datas não se encaixavam na nossa turnê. Vamos mais para o fim do ano.
Escrito por Carol Nogueira às 17h34
Música da semana

Lá se vão quase cinco anos desde que o The Shins lançou seu último álbum, o meio chatinho "Wincing the Night Away", de 2007. Muita coisa mudou desde então (aliás, vale a pena ouvir o ótimo disco que o vocalista James Mercer lançou com o projeto Broken Bells neste meio tempo). Neste ano, o grupo lança seu novo disco, o aguardado "Port of Morrow". Mas, para matar a vontade, liberaram o tira-gosto "Simple Song" nesta segunda-feira. Fala se não é a melhor música que você ouviu na semana?
Escute aqui.
Escrito por Carol Nogueira às 19h07
O vídeo fofo de 2012
Spencer é o filho do vocalista do Wilco, Jeff Tweedy. E é também, mais ou menos, diretor do clipe de "Whole Love", do novo álbum do Wilco, "The Whole Love". É o vídeo família da banda, já que tem como protagonistas outro filho de Tweedy, Sammy, e seu melhor amigo Joey, além de uma amiga famosa deles: a blogueira-mirim Tavi Gevinson. Fofo.
Escrito por Carol Nogueira às 19h55
O primeiro hit de 2012
Estamos no terceiro dia de 2012 e uma das melhores músicas do ano --ou, pelo menos, o primeiro hit pop-- já apareceu. "Shady Love", do Scissor Sisters, é produzida pelo Alex Ridha do Boyz Noise e tem vocais de Azealia Banks, a nova sensação rapper --ou seria rapster? (hehe)--, que aqui adotou o pseudônimo Krystal Pepsy.
Escrito por Carol Nogueira às 16h21
Os discos que eu quero ouvir em 2012

"Born to Die", debut da Lana Del Rey, sai dia 31/01
Feliz 2012!
O blog andou meio parado neste fim de 2011. Então, bora sacudir a poeira e começar o ano já falando sobre o que vem por aí? Separei aqui alguns dos discos que eu mais quero ouvir nesse ano --alguns vazaram e eu já ouvi (ops). Entre coisas do meu gosto e outros que todo mundo vai querer ouvir mesmo não gostando, tem uns 20 álbuns. Você também pode dizer, nos comentários, o que espera de 2012 (não precisa ser necessariamente um disco, pode ser um filme, um livro...). Vamos lá?
Janeiro
Guided by Voices - "Let's Go Eat the Factory" (já saiu)
O grupo de Ohio vem com tudo em seu primeiro disco desde 2004 --e o primeiro a ser gravado pelos membros originais desde 1996. Indie rock lo-fi em sua melhor forma.
Ouça: o disco todo em streaming na NPR
The Big Pink - "Future This" (Dia 17)
Sucessor de "A Brief History of Love", que tinha o hit "Dominos". Vai ser mixado pelo Alan Moulder, que, pra ficar em trabalhos recentes, é um dos responsáveis pela mixagem de "Wasting Light", do Foo Fighters, e os últimos de Trent Reznor (NIN; How to Destroy Angels).
Ouça: "Stay Gold"
Howler - "America Give Up" (Dia 17)
Tem tudo pra ser o Vaccines desse ano. Ou seja: Começar o ano como o novo Strokes, cair no limbo e esquecimento total, e terminar o ano fazendo uma música com um Stroke (que ainda assim não consegue atrair atenção nenhuma para a banda)
Ouça: "I Told You Once"
The Internet - "Purple Naked Ladies" (Dia 17)
Syd Tha Kid, a única garota do Odd Future, mostra seu lado mais R&B no projeto que toca ao lado de Matt Martians.
Ouça: "Cocaine"
Lana Del Rey - "Born to Die" (Dia 31)
(Ainda) precisa falar alguma coisa?
Ouça: "Million Dollar Man"
Leonard Cohen - "Old Ideas" (Dia 31)
Tem dois tipos de pessoas no mundo: As que amam Leonard Cohen e as que nunca ouviram Leonard Cohen. É sempre a mesma coisa, mas sempre vale a pena.
Ouça: "The Darkness"
Fevereiro
Mark Lanegan Band - "Blues Funeral" (Dia 6)
Primeiro disco solo dele em bastante tempo, e ainda vai ter ponta do Josh Homme (claro) e outros colaboradores frequentes de Lanegan.
Air - "Le Voyage Dans La Lune" (Dia 7)
Vai servir de trilha sonora para o clássico filme-mudo de 1902 "Le Voyage Dans La Lune", de Georges Méliès, que foi restaurado e será exibido em festivais de cinema pelo mundo.
Ouça: "Sonic Armada"
Sleigh Bells - "Reign of Terror" (Dia 14)
Traumatizados com a falta de tempo que tiveram para produzir e mixar seu disco anterior, o ótimo "Treats", a dupla Derek e Alexis fez questão de garantir que tivessem todo o tempo do mundo para o próximo. O resultado? Uma produção caprichada com guitarras reverberadas e vários detalhes legais (entre outras coisas, a dupla gravou o som de um grupo de amigos batendo palmas e pés em uma arquibancada).
Ouça: "Born to Lose"
Tennis - "Young and Old" (Dia 14)
Após lançar ótimos singles em 2010, a banda tinha tudo para estourar em 2011. Mas o fraquinho "Cape Dory" os colocou no canto do pop bege, onde ficaram enterrados até agora. Até agora porque o próximo disco é produzido por Patrick Carney do Black Keys, que conseguiu colocar as coisas de volta no lugar.
Ouça: "Origins"
Lissy Trullie - "Lissy Trullie" (Dia 6)
Lembra dela? Depois de gravar o disco "Self-Taught Learner" em 2009, que é até legalzinho, e um cover ótimo de "Ready for the Floor" do Hot Chip, a ex-modelo-que-virou-cantora sumiu. Mas prometeu voltar neste ano com um disco que leva seu nome. A julgar pelo single, "Madeleine", a coisa mudou BASTANTE. Foi do indiezinho café com leite para algo que lembra mais Kate Bush e também um pouco o disco que a Anna Calvi lançou ano passado.
Ouça: "Madeleine"
Spiritualized - "Sweet Heart Sweet Light" (Dia 19)
É o primeiro desde 2008 e, segundo Jason Pierce, tem algo a ver com a "experiência de tocar 'Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space' ao vivo na íntegra", coisa que ele fez no festival All Tomorrow's Parties em 2009.
Paul Weller - "Sonik Kicks" (Dia 27)
Não tem muitos detalhes ainda, mas Paul Weller é sempre garantia de coisa boa.
Março
Madonna
Madonna já fez um disco ruim? Não importa. Porque todo mundo acaba escutando o tal disco quando ele sai de qualquer maneira. A julgar pelo estardalhaço que uma só música fez ("Gimme All Your Luvin'", que tem participação de M.I.A. e Nicki Minaj), esse deve ser um dos álbuns mais falados do ano.
Maio
Tyler, the Creator - Wolf
O motivo que me deixa curiosa pra ouvir esse disco é que Tyler já disse algumas vezes que a coisa vai ser mais ou menos assim: menos partes faladas e mais batidas (que ele começou a gravar quando tinha 15 anos). Os temas também vão ser diferentes. Vamos ver.
Outubro
Muse
O último disco da banda não foi exatamente sensacional como os anteriores. Mas o Muse ainda é uma banda confiável e não deve entregar qualquer coisa. Sobre como vai soar, o vocalista Matt Bellamy já disse, meio de brincadeira (mas, se tratando do Muse, pode bem ser verdade), que vai ser uma "christian gangsta rap jazz odyssey, with some ambient rebellious dubstep and face melting metal flamenco cowboy psychedelia".
Sem data
The xx
Segundo Jamie Smith, o principal produtor do grupo, o disco deve ser mais "club music"(?!?). Meu palpite? Será ruim (mas claro que todo mundo vai falar bem).
Ouça: "Open Eyes"
Cat Power
O primeiro desde "Jukebox", de 2008. Mas quatro anos sem um disco da Cat Power parecem infinitamente mais longos. Não há muita novidades sobre esse aqui, exceto que ela já disse em algumas entrevistas que quer tocar ela mesma todos os instrumentos.
Ouça: "King Rides By"
*Além desses, tem vários outros que têm pouquíssimos detalhes e que talvez nem saiam, mas também estou curiosa pra ouvir: Os novos do Garbage, Paul McCartney, Queens of the Stone Age, Franz Ferdinand, Mazzy Star, The Shins, The Magnetic Fields, The Twilight Sad e Field Music.
Escrito por Carol Nogueira às 22h04


